segunda-feira, 16 de outubro de 2017
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Aprendizagem amorosa

Na escola existe uma rede complexa de relações. Relações pessoais e interpessoais. O relacionamento interpessoal implica uma relação social, ou seja, um conjunto de normas comportamentais que orientam as interações entre membros de uma sociedade. O conceito de relação social, da área da Sociologia, foi estudado e desenvolvido por Max Weber. Essas relações têm um potencial considerável para influenciar tanto positiva como negativamente, a aprendizagem dos alunos. Conforme o estado em que o aluno se encontra, uma mera palavra basta para levá-lo a apresentar um desempenho satisfatório ou um baixo rendimento escolar. Para melhor entender este contexto é necessário identificar que a auto estima é a mola mestra que impulsiona e até mesmo direciona o indivíduo para o sucesso ou para o fracasso. Portanto o futuro de um indivíduo depende de sua auto estima e dos estímulos que recebe ao longo de sua jornada.
A auto estima pode ser tanto essencial quanto fundamental. A auto-estima essencial é a que recebemos dos nossos pais desde que nascemos através do seu amor, cuidados e estímulos positivos.
A auto-estima fundamental é conquistada quando somos bem sucedidos e apreciamos algo que realizamos. Durante a infância, ela é alimentada toda vez que a criança realiza algo. O ato de aplaudir ou de reprovar fora de hora pode distorcer a auto estima da criança. Na adolescência, a auto-estima fundamental é a auto aprovação do que o adolescente pensa, sente ou faz. A auto estima é responsável por motivar a vencer o medo, a insegurança, a ansiedade e demais sentimentos. Uma boa auto-estima é essencial para o desenvolvimento de uma pessoa .
Cada dia percebe-se mais alunos com uma auto imagem negativa, inseguros, sem confiança em si mesmo, ou seja, sem auto estima. Tudo isso repercute enormemente no desenvolvimento da sua personalidade, no equilíbrio emocional e no relacionamento humano. A auto estima , na maioria das vezes está intimamente ligada ao fracasso escolar . A insegurança de obter sucesso pode ser responsável por problemas emocionais, tais como agressividade, irritabilidade, desatenção e desinteresse, que habitualmente interferem na aprendizagem do aluno.
A orientação de um professor pode fazer o aluno se sentir gratificado ou diminuído dependendo da auto estima do aluno. Além disso o tipo de relação que o professor estabelece em sala de aula com os seus alunos pode acarretar em minimização da auto estima e consequentemente no fracasso escolar, pois a forma como os alunos são tratados pode levá-los a desistência , julgando-se incapaz e, até mesmo culpado. Uma relação afetiva e de respeito mútuo é a base para estabelecer uma relação saudável professor/aluno. Essa relação deve garantir um ambiente de estimulação e valorização do esforço e das realizações próprias e originais e apoiar o processo de tentativa e erro sem estigmatizar este último. Dessa forma o aluno estará preparado emocionalmente para lidar com as dificuldades que surgirem em sua vida escolar. Lidar com as frustrações também faz parte do aprendizado e os torna emocionalmente fortes, preparados para a vida que transcende os muros da escola.
Em minha prática fica evidente a aprendizagem amorosa, da auto estima, da liberdade com responsabilidade e também a do limite. Um não se sobrepõe ao outro, pelo contrário, um dá suporte ao outro. O aluno deve ser encorajado a tomar decisões e posicionamentos assertivos. O caminho é longo, mas a recompensa virá após algum tempo.
Hoje tive a grata devolução da Coordenadora Pedagógica que teceu comentários extremamente positivos a respeito da mudança de comportamento e a visível maturidade de uma aluna da minha turma. De temperamento instável, mantinha atitude sempre na defensiva, apresentava dificuldade em algumas disciplinas e mantinha -se dispersa durante as aulas. Aos poucos fui conquistando sua confiança e através do estímulo, da escuta e encorajamento constante a sua auto estima e autonomia, dosadas com demonstrações de afeto, mediada por princípios montessorianos e disciplina, suas atitudes foram transformando - se. Estas mudanças foram tão evidentes que refletiu em suas aprendizagens. Atualmente é comprometida, faz as atividades propostas, lidera os trabalhos em grupo e foi eleita representante da turma no 2° semestre.
A atitude emocional do professor influência involuntariamente e inconscientemente , pois geralmente os alunos anseiam por afeto, aceitação, aprovação e reconhecimento de seus professores. Dependendo de como o professor se posiciona diante desses anseios pode alimentar ou não a construção de uma auto-estima boa e saudável, que trará maior rendimento escolar.
E para que isso aconteça, o professor tem que interagir com o aluno no processo de ensino aprendizagem de forma que cada um ensina e aprende. O ato de ensinar exige envolvimento de ambas as partes. E essa troca que deve ser estimulada para o fortalecimento da auto estima e da aprendizagem. Segundo Becker( 1997,p.147) não há educador tão sábio que nada possa aprender, nem educador tão ignorante que nada possa ensinar. É crescendo e aprendendo junto com o aluno, assumindo o papel de investigador, orientador e coordenador do processo ensino aprendizagem, que o professor conseguirá alcançar os objetivos que geram à cerca da construção do conhecimento. Esta reflexão me trouxe a lembrança o trecho de uma famosa ária do último ato da ópera Turandot, intitulada "Nessun dorma" que finaliza entoando liricamente:
"Desvencilhe, a noite! Desapareçam, estrelas! Ao alvorecer eu vencerei!"
É assim que me sinto muitas vezes diante da turma, determinada a vencer e transpor todos os empecilhos e dificuldades. E sempre que sinto esmorecer busco inspiração em algo, como a audição de um participante ( link abaixo) ou nas inúmeras cartas e bilhetes que deles recebo, assim como, nos abraços e cumprimentos que recebo nos corredores da escola de antigos alunos. Com frequência também recebo elogios e comentários de alunos que nunca estiveram comigo em sala de aula.
Afeto é assim.
Ora se dá...
Ora se recebe.
Referências:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=SF7yuRylYd0 (audição Paul Potts - Nessun Dorma - legendado)
ttps://www.letras.mus.br/luciano-pavarotti/30295/traducao.html ( Nessun Dorma)
Desapareçam, estrelas!
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Espaço democrático

Estâncias colegiadastraz a representatividade das diferentes áreas e setores do espaço escolar para a melhoria da educação pública.
O Conselho é formado por representantes de todos os grupos envolvidos com a educação: funcionários e professores da escola, pais e outros membros da comunidade. Ao trazer todos os interessados para discussão e tirar as decisões da mão de poucos, ele transforma a escola em um ambiente mais democrático e transparente.
“Por meio do conselho é possível envolver a comunidade e estimulá-la a acompanhar os estudos dos seus filhos e o que está acontecendo na escola,” conta Maria Luiza Martins Aléssio, diretora de Fortalecimento Institucional e Gestão Educacional do Ministério da Educação.
Base Curricular para a Educação Infantil
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| Aprender para conviver.
Historicamente a educação infantil não havia sido organizada com bases claras e evidentes, visando o desenvolvimento global e respeitando as diferentes fases do seu desenvolvimento.
As orientações da Base Curricular são vistas como um divisor de águas. O texto traz uma divisão por faixa etária e, em meio a seus "direitos de aprendizagem", cita pontos como " conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens"; explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções.Educadores apontam, porém, alguns pontos sensíveis.
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A educação infantil ainda é uma etapa sensível e suscita muito debate. Então como o documento coloca de maneira clara a necessidade de imprimir intencionalidade na educação infantil, é necessário um cuidado. Essa intencionalidade tem que saber respeitar o ritmo da criança e permitir que uma criança com dificuldade possa se desenvolver no tempo.
Referências;
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Gestão democrática
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| Educação para todos de qualidade.
Uma educação de qualidade se faz de forma democrática e dialógica. O papel da escola é propiciar disposições de todos os setores organizacionais da escola e promover em todas as estâncias coletivas à participação de todos para o bem comum dos alunos, visto que ele é o centro ( objeto) do contexto sociopolítico.
A qualidade de ensino tão almejada promove a boa relação educacional e o respeito à subjetividade do aluno e do professor, reflexo da gestão democrática. Sua implementação na organização da gestão administrativa e pedagógica da escola pública exige esforços de todas estâncias coletivas e a participação assertiva de todos. Esta tem ainda como intuito ponderar sobre as mudanças que esse tipo de gestão impõe na postura ética e cultural dos sujeitos pertencentes e atuantes da comunidade escolar, assim como os desafios lançados com a implementação dos mecanismos de gestão democrática, instituídos pela legislação educacional brasileira. Em contra partida, a gestão patrimonialista "caracteriza-se por uma gestão estritamente firmada pela tradição onde o gestor toma decisões conforme seu prazer, sua simpatia ou sua antipatia, e de acordo com pontos de vista puramente pessoais, sobretudo suscetíveis de se deixarem influenciar por preferências também pessoais. A administração do Estado e suas instituições, sob o princípio do patrimonialismo é uma questão puramente pessoal do gestor público, inexistindo, por este motivo, uma clara diferenciação entre as esferas pública e privada ( Weber, 1989 ). O papel principal da escola é propiciar condições para que o aluno aprenda, apresentando cultura e situações que promovam estímulos em todas áreas do conhecimento, para que o aluno se aproprie e tenha sinapses autônomas de aprendizagem. Enfim, "exige o compartilhamento das decisões sobre os modos de organização escolar, implicando a participação da comunidade escolar e local. Isto significa que a gestão democrática da educação é um processo em construção que envolve toda a organização da educação brasileira. É um processo que pretende estruturar um modelo de educação que permita a emancipação social dos sujeitos tendo como base a democracia participativa." ( O Estado moderno: da gestão patrimonialista à gestão democrática; Batista, Neusa Chaves ) Referências Bibliográficas: FEDOZZI, Luciano (1999). Orçamento Participativo: reflexões sobre a experiência de Porto Alegre. Porto Alegre: Tomo Editorial. PETERSEN, Aurea (1988). O Estado. In: Ciência Política: textos introdutórios. PETERSEN et alli (orgs.). Porto Alegre: Editora Mundo Jovem WEBER, Max (1989).Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, Gabriel (org.). Max Weber. São Paulo: Ática. (Coleção Grandes Cientistas Sociais). ____ (1991). Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, volúme I. |
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
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"Quando não respeitada gera o sequestro de ambas as partes, tanto de quem ensina quanto de quem aprende." Cortella
Quando pensamos em sequestro, a ideia inicial é de pessoas sendo confinadas, mantidas incomunicáveis. tendo o seu direito de ir e vir desrespeitados.
Mas há um sequestro subjetivo que ocorre sem que muitos percebam, e este ocorre em nosso cotidiano escolar.
Nossas escolas estão lotadas de crianças , adolescentes e jovens desassistidos em seu direito de receber um ensino de qualidade em um ambiante previamente preparado e favorável ao desenvolvimento globalizado. Sequestrados pelos efeitos do descaso de políticas predatórias.
Surpresa insólita, que torna toda possibilidade de crescimento refém da demanda de políticas públicas excludentes que aviltam o processo de ensino aprendizagem e subjugam os direitos sociais e a educação.
"Mais especificamente na política educacional, ao mesmo tempo em que
avançamos na luta por uma educação para todos, o Estado passa de executor a apenas o
avaliador e indutor da qualidade através da avaliação. A gestão democrática passa a dar
lugar para a gestão empresarial, já que o mercado é parâmetro de qualidade.
Encerro ressaltando que a grande questão atual é a função social da escola
neste período particular do capitalismo de tantas mudanças. O capital sabe muito bem
que escola quer, e os que querem superá-lo, devem começar a ser mais propositivos
depois de décadas na defensiva. É o que proponho para o debate nesta mesa na ANPED
SUL." ( Peroni,Vera Maria Vidal , Políticas
públicas e gestão da educação em tempos de redefinição do papel do estado)
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Link: https://www.youtube.com/watch?v=pL6K_jHe6t
_______. Mudanças na configuração do Estado e sua influência na política educacional.
In: PERONI, V. M. V., BAZZO, V. L. , PEGORARO, L. (org.) Dilemas da educação
brasileira em tempos de globalização neoliberal: entre o público e o privado. Porto
Alegre: Editora da UFRGS, 2006.
PERONI, Vera M. Vidal. Conexões entre o público e o privado no financiamento e
gestão da escola pública. In ECCOS: Revista Científica. Vol. 8, p. 111-132, jan./jun.,
São Paulo, 2006a
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PERONI, Vera.Perspectivas da gestão democrática da educação: avaliação institucional
In: Gestão escolar democrática: concepções e vivências. 1 ed. Porto Alegre: Editora da
UFRGS, 2006b, v.1, p. 149-155
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
"A vida é tão rara..."
REFERÊNCIAS:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=GtFNx1umQTw
GUSMÃO, N.M.M. A
maturidade e a velhice: um olhar antropológico. In: Neri, A. L. (org).
Desenvolvimento e envelhecimento. Perspectivas biológicas, psicológicas e
sociológicas. Campinas: Papirus, 2001. p.113-139.
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