segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Aprendizagem amorosa

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 Na escola existe uma rede complexa de relações. Relações pessoais e interpessoais. O relacionamento interpessoal implica uma relação social, ou seja, um conjunto de normas comportamentais que orientam as interações entre membros de uma sociedade. O conceito de relação social, da área da Sociologia, foi estudado e desenvolvido por Max Weber. Essas relações têm um potencial considerável para influenciar  tanto   positiva  como negativamente, a aprendizagem dos alunos. Conforme o estado em que o aluno se  encontra, uma   mera   palavra  basta para levá-lo  a apresentar um   desempenho   satisfatório  ou  um  baixo   rendimento   escolar.  Para melhor    entender  este  contexto   é necessário  identificar   que   a    auto estima  é  a   mola   mestra  que  impulsiona  e  até    mesmo   direciona    o indivíduo para   o   sucesso ou para o fracasso. Portanto o  futuro   de  um indivíduo depende de sua auto estima e dos estímulos que recebe ao longo de sua jornada.
                A auto estima pode ser tanto essencial quanto fundamental. A auto-estima essencial é a que recebemos dos nossos pais desde que nascemos através do seu amor,  cuidados e estímulos positivos.
                A auto-estima fundamental é conquistada quando somos bem sucedidos e apreciamos algo que realizamos. Durante a infância, ela é alimentada toda vez que a criança realiza algo. O ato de aplaudir ou  de reprovar    fora  de  hora   pode  distorcer  a  auto  estima da  criança.  Na adolescência, a auto-estima fundamental é  a auto   aprovação   do   que  o adolescente pensa, sente  ou   faz. A auto estima  é responsável  por motivar  a     vencer   o   medo,  a   insegurança, a    ansiedade   e    demais sentimentos. Uma boa auto-estima é essencial para o desenvolvimento  de uma pessoa .
                 Cada dia   percebe-se    mais  alunos    com   uma  auto imagem negativa,   inseguros,  sem  confiança  em  si  mesmo,   ou  seja,  sem  auto estima. Tudo isso repercute  enormemente no desenvolvimento da sua personalidade, no equilíbrio    emocional e no relacionamento humano. A auto estima , na  maioria das vezes está intimamente    ligada   ao fracasso escolar . A insegurança     de   obter   sucesso  pode ser responsável    por problemas emocionais, tais como agressividade, irritabilidade, desatenção e      desinteresse, que  habitualmente   interferem  na   aprendizagem   do aluno.                 
                 A orientação  de  um  professor  pode   fazer   o  aluno se sentir gratificado ou diminuído dependendo da auto estima do aluno. Além disso o  tipo   de   relação   que   o   professor estabelece em  sala  de  aula   com os  seus   alunos  pode    acarretar   em   minimização   da   auto   estima   e consequentemente  no fracasso  escolar, pois a forma como os alunos  são tratados   pode  levá-los a desistência , julgando-se  incapaz e,  até  mesmo culpado.  Uma relação   afetiva   e   de   respeito   mútuo   é  a  base   para estabelecer uma   relação   saudável   professor/aluno.    Essa relação deve garantir um ambiente de estimulação e valorização do esforço e das realizações próprias e originais e apoiar o processo de tentativa e erro sem estigmatizar este último.  Dessa forma   o   aluno   estará    preparado  emocionalmente para  lidar com as dificuldades que surgirem em sua vida escolar. Lidar com as frustrações também faz parte do aprendizado e os torna emocionalmente fortes, preparados para a vida que transcende os muros da escola.
Em minha prática fica evidente a aprendizagem amorosa, da auto estima, da liberdade com responsabilidade e também a do limite. Um não se sobrepõe ao outro, pelo contrário, um dá suporte ao outro. O aluno deve ser  encorajado a tomar decisões e posicionamentos assertivos. O caminho é longo, mas a recompensa virá após algum tempo.
Hoje tive a grata devolução da Coordenadora Pedagógica que teceu comentários extremamente positivos a respeito da mudança  de comportamento e a visível maturidade de uma aluna da minha turma. De temperamento instável, mantinha atitude sempre na defensiva, apresentava dificuldade em algumas disciplinas e mantinha -se dispersa durante as aulas. Aos poucos fui conquistando sua confiança e através do estímulo, da escuta e encorajamento constante a sua auto estima e autonomia, dosadas com demonstrações de afeto, mediada por princípios montessorianos e disciplina, suas atitudes foram transformando - se. Estas mudanças foram tão evidentes que refletiu em suas aprendizagens. Atualmente é comprometida, faz as atividades propostas, lidera os trabalhos em grupo e foi eleita representante da turma no 2° semestre.

A atitude emocional do professor influência involuntariamente e inconscientemente , pois geralmente  os  alunos  anseiam   por   afeto,   aceitação, aprovação   e   reconhecimento   de    seus professores. Dependendo de como   o   professor  se   posiciona diante desses anseios pode alimentar ou não a construção de uma auto-estima boa e  saudável, que trará maior rendimento escolar.
E para que isso aconteça, o professor  tem  que   interagir com   o   aluno   no  processo   de   ensino   aprendizagem    de   forma  que   cada  um ensina e aprende. O ato de ensinar exige envolvimento de ambas as partes. E essa troca que deve ser estimulada para o fortalecimento da auto estima e  da  aprendizagem. Segundo Becker( 1997,p.147) não há educador tão sábio que nada possa  aprender, nem    educador   tão   ignorante  que   nada possa  ensinar. É crescendo e aprendendo junto   com o   aluno,   assumindo   o   papel de investigador, orientador   e    coordenador   do   processo  ensino  aprendizagem, que  o  professor   conseguirá   alcançar   os  objetivos   que geram   à   cerca   da construção do conhecimento. Esta reflexão me trouxe a lembrança o trecho de uma famosa ária do último ato da ópera Turandot, intitulada "Nessun dorma" que finaliza entoando liricamente:
"Desvencilhe, a noite! Desapareçam, estrelas! Ao alvorecer eu vencerei!" 
É assim que me sinto muitas vezes diante da turma, determinada a vencer e transpor todos os empecilhos e dificuldades. E sempre que sinto esmorecer busco inspiração em algo, como a audição de um participante ( link abaixo) ou nas inúmeras cartas e bilhetes que deles recebo, assim como, nos abraços e cumprimentos que recebo nos corredores da escola de antigos alunos. Com frequência também recebo elogios e comentários de alunos que nunca estiveram comigo em sala de aula.
Afeto é assim. 
Ora se dá...
Ora se recebe.

Referências:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=SF7yuRylYd0 (audição Paul Potts - Nessun Dorma - legendado)
ttps://www.letras.mus.br/luciano-pavarotti/30295/traducao.html ( Nessun Dorma)
Desapareçam, estrelas!


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Espaço democrático

Resultado de imagem para imagem estâncias colegiadas na rede pública

Estâncias colegiadastraz a representatividade das diferentes áreas e setores do espaço escolar para a melhoria da educação pública.
O Conselho é formado por representantes de todos os grupos envolvidos com a educação: funcionários e professores da escola, pais e outros membros da comunidade. Ao trazer todos os interessados para discussão e tirar as decisões da mão de poucos, ele transforma a escola em um ambiente mais democrático e transparente. 



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“Por meio do conselho é possível envolver a comunidade e estimulá-la a acompanhar os estudos dos seus filhos e o que está acontecendo na escola,” conta Maria Luiza Martins Aléssio, diretora de Fortalecimento Institucional e Gestão Educacional do Ministério da Educação. 

Base Curricular para a Educação Infantil

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Aprender para conviver.


Historicamente a educação infantil não havia sido organizada com bases claras e evidentes, visando o desenvolvimento global e respeitando as diferentes fases do seu desenvolvimento.
As orientações da Base Curricular são vistas como um divisor de águas. O texto traz uma divisão por faixa etária e, em meio a seus "direitos de aprendizagem", cita pontos como " conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens"; explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções.Educadores apontam, porém, alguns pontos sensíveis.
 A educação infantil ainda é uma etapa sensível e suscita muito debate. Então como o documento coloca de maneira clara a necessidade de imprimir intencionalidade na educação infantil, é necessário um cuidado. Essa intencionalidade tem que saber respeitar o ritmo da criança e permitir que uma criança com dificuldade possa se desenvolver no tempo.

Referências;
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Gestão democrática

Educação para todos de qualidade.



Uma educação de qualidade se faz de forma democrática e dialógica. O papel da escola é propiciar disposições de todos os setores organizacionais da escola e promover em todas as estâncias coletivas à participação de todos para o bem comum dos alunos, visto que ele é o centro ( objeto) do contexto sociopolítico.
A qualidade de ensino tão almejada promove a boa relação educacional e o respeito à subjetividade do aluno e do professor, reflexo da gestão democrática. Sua implementação na organização da gestão administrativa e pedagógica da escola pública exige esforços de todas estâncias coletivas e a participação assertiva de todos. Esta tem ainda como intuito ponderar sobre as mudanças que esse tipo de gestão impõe na postura ética e cultural dos sujeitos pertencentes e atuantes da comunidade escolar, assim como os desafios lançados com a implementação dos mecanismos de gestão democrática, instituídos pela legislação educacional brasileira.
Em contra partida, a gestão patrimonialista  "caracteriza-se por uma gestão estritamente firmada pela tradição onde o gestor toma decisões conforme seu prazer, sua simpatia ou sua antipatia, e de acordo com pontos de vista puramente pessoais, sobretudo suscetíveis de se deixarem influenciar por preferências também pessoais. A administração do Estado e suas instituições, sob o princípio do patrimonialismo é uma questão puramente pessoal do gestor público, inexistindo, por este motivo, uma clara diferenciação entre as esferas pública e privada ( Weber, 1989 ).
O papel principal da escola é propiciar condições para que o aluno aprenda, apresentando cultura e situações que promovam estímulos em todas áreas do conhecimento, para que o aluno se aproprie e tenha sinapses autônomas de aprendizagem.
Enfim, "exige o compartilhamento das decisões sobre os modos de organização escolar, implicando a participação da comunidade escolar e local. Isto significa que a gestão democrática da educação é um processo em construção que envolve toda a organização da educação brasileira. É um processo que pretende estruturar um modelo de educação que permita a emancipação social dos sujeitos tendo como base a democracia participativa." ( O Estado moderno: da gestão patrimonialista à gestão democrática; Batista, Neusa Chaves )
Referências Bibliográficas:
FEDOZZI, Luciano (1999). Orçamento Participativo: reflexões sobre a experiência de Porto Alegre. Porto Alegre: Tomo Editorial.
PETERSEN, Aurea (1988). O Estado. In: Ciência Política: textos introdutórios.
PETERSEN et alli (orgs.). Porto Alegre: Editora Mundo Jovem
WEBER, Max (1989).Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, Gabriel (org.). Max Weber. São Paulo: Ática. (Coleção Grandes Cientistas Sociais).
____ (1991). Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, volúme I.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

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"Quando não respeitada gera o sequestro de ambas as partes, tanto de quem ensina quanto de quem aprende." Cortella


Quando pensamos em sequestro, a ideia inicial é de pessoas sendo confinadas, mantidas incomunicáveis. tendo o seu direito de ir e vir desrespeitados.

Mas há um sequestro subjetivo que ocorre sem que muitos percebam, e este ocorre em nosso cotidiano escolar.
Nossas escolas estão lotadas de crianças , adolescentes e jovens desassistidos em seu direito de receber um ensino de qualidade em um ambiante previamente preparado e favorável ao desenvolvimento globalizado. Sequestrados pelos efeitos do descaso de políticas predatórias.
 Surpresa insólita, que torna toda possibilidade de crescimento refém da demanda de políticas públicas excludentes que aviltam o processo de ensino aprendizagem e subjugam os direitos sociais e a educação.
"Mais especificamente na política educacional, ao mesmo tempo em que avançamos na luta por uma educação para todos, o Estado passa de executor a apenas o avaliador e indutor da qualidade através da avaliação. A gestão democrática passa a dar lugar para a gestão empresarial, já que o mercado é parâmetro de qualidade. Encerro ressaltando que a grande questão atual é a função social da escola neste período particular do capitalismo de tantas mudanças. O capital sabe muito bem que escola quer, e os que querem superá-lo, devem começar a ser mais propositivos depois de décadas na defensiva. É o que proponho para o debate nesta mesa na ANPED SUL." (  Peroni,Vera Maria Vidal , Políticas públicas e gestão da educação em tempos de redefinição do papel do estado

Referências:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=pL6K_jHe6t
_______. Mudanças na configuração do Estado e sua influência na política educacional. In: PERONI, V. M. V., BAZZO, V. L. , PEGORARO, L. (org.) Dilemas da educação brasileira em tempos de globalização neoliberal: entre o público e o privado. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006. PERONI, Vera M. Vidal. Conexões entre o público e o privado no financiamento e gestão da escola pública. In ECCOS: Revista Científica. Vol. 8, p. 111-132, jan./jun., São Paulo, 2006a . PERONI, Vera.Perspectivas da gestão democrática da educação: avaliação institucional In: Gestão escolar democrática: concepções e vivências. 1 ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006b, v.1, p. 149-155 




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

"A vida é tão rara..."

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"A gente espera do mundo...E o mundo espera de nós." Paciência de Lenine

Envelhecer, último ato da grande trajetória intitulada vida.
Em suas diferentes fases trás sabores e dissabores não opcionais,mas incluso pois a vida não para e é tão rara.
Enquanto o grande espetáculo da vida acontece em atos permeados pelas fases do desenvolvimento humano,  o tempo vai deixando suas marcas, impressões e aprendizados.
Independente disto, envelhecer é inevitável...
Sentir -se velho é opcional.
Envelhecer é uma arte, e como tal pressupõe disposição e encantamento.  Também é necessário recriar a ação do viver que passa por etapas que irão moldando o jeito de ser e estar no mundo. Alguns referem-se como etapas evolutivas, que muitas vezes nos fazem ter a sensação de que estamos ficando para trás.
O envelhecimento está associado a proximidade da morte, talvez seja por isto que uma parcela considerável de adultos que chegam nesta fase, tornam-se depressivos .
O fato é que se permanecemos vivos atingir esta fase é inevitável, e  administrá - la com maestria é um desafio e requer arte.
Então [...]maturidade e a velhice, desde sempre, constituem desafios a todas as sociedades humanas, sobretudo no mundo moderno, cuja dimensão social encontra-se centrada na juventude, como mito e valor que orientam a percepção de mundo e a compreensão possível da vida (GUSMÃO, 2001 p. 113).
E qual será a nossa resposta as “...batidas na porta do tempo...” (Resposta ao tempo, música interpretada por Nana Caymmi).
Ou quem sabe, simplesmente fecharemos a porta numa vã tentativa de impedir a sua entrada. Porém, persistente, o tempo faz seus arranjos e pouco a pouco, esgueirando-se entre os acontecimentos envelhecemos.
Então faça valer a pena.
Faça acontecer.
"A vida não para, a vida não para não."

REFERÊNCIAS:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=GtFNx1umQTw
GUSMÃO, N.M.M. A maturidade e a velhice: um olhar antropológico. In: Neri, A. L. (org). Desenvolvimento e envelhecimento. Perspectivas biológicas, psicológicas e sociológicas. Campinas: Papirus, 2001. p.113-139.